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Quinta-feira, 19 de maio de 2022

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Conheça o 'Slam Poetry', competição que mistura de poesia falada e Hip Hop e chega a Cuiabá em 2017

Foto: Reprodução / Ilustração

Roberta Estrela D'Alva, um dos grandes nomes do Slam no Brasil

Roberta Estrela D'Alva, um dos grandes nomes do Slam no Brasil

Batalha. Competição. Oralidade. A ‘Slam Poetry’, ou poesia slam nasceu em 1984 em Detroit, Chicago, mas somente em 2017 chega de forma oficial a Cuiabá, graças a uma poetisa e um radialista da capital mato-grossense.

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Luciene Carvalho – imortal da Academia Mato-Grossense de Letras – e Raul Lazaro, seu marido e apresentador (veja entrevista ao Olhar Conceito AQUI) participaram, neste mês de novembro, da Festa Literária das Periferias (Flupp), na Cidade de Deus, Rio de Janeiro, e conseguiram os contatos necessários para ter uma eliminatória em Mato Grosso.


Luciene (poetisa) e Raul Lazaro (comunicador); (Foto: Olhar Conceito)

Mas, afinal, o que é a Slam? É uma batalha de poesia, em que o competidor tem que seguir algumas regras: só pode recitar poemas autorais, e no máximo em três minutos. Vários poetas disputam as notas de um júri, formado por cinco pessoas, sendo que a maior e a menor nota são excluídas. “Acontece no mundo todo, tem copa do mundo em Paris, está organizado o Slam Brasil. Sem cenário, sem música, sem figurino, nada. Palavra oral encenada”, explica Luciene.

Apesar de já ter mais de trinta nos, essa modalidade de poesia era desconhecida até mesmo pela imortal. “Um professor do mestrado da Universidade Estadual de Londrina me indicou para fazer um trabalho de poesia e percussão, que é um formato de trabalho bem exclusivo em que a poesia desconfigura a batida poética pra entrar na batida da percussão, eu nunca vi”, lembra Luciene. Depois disso, ela foi até a Londrix, Festival Literário de Londrina, e ouviu falar de Roberta Estrela D’Alva, a grande ‘estrela’ brasileira do Slam.



Em contato com Roberta, Luciene e Raul Lazaro conseguiram indicação para ir até a Flupp, onde vivenciaram pessoalmente a experiência de uma festa literária das periferias. Lá, poetas de quinze países diferentes competiam com a palavra. “Eu ouvi Slam do México, EUA, Canadá, Inglaterra, Suíça, França, Cuba, Angola, Portugal... e falta país ainda”, lembra Luciene.

Segundo a poetisa, no evento foi possível entender o que realmente é o Slam, e, desta forma, perceber porque a ‘autoralidade’ é tão importante. “É uma discussão política. Eu descobri como foi a imigração japonesa na China, que gerou a imigração que levou pro Canadá. E eu com isso? Mas o cara escreveu de uma forma tão linda... porque ele dizia: toda vez que chove, meu avô chora. E disso, dessa celebração parental, ele voltou na história e foi contando”, lembra. “Eu vi como esse formato dá vazão a ações, a emoções, a vivência, a história. Por isso que a autoralidade é tão essencial. Eu não vou falar da tuberculose de Manuel Bandeira. Eu vou falar da minha tuberculose social”.

Falando de sua ‘tuberculose social’, Luciene recitou um de seus poemas do livro Insânia, obra que escreveu enquanto estava internada em um hospital psiquiátrico. “Eu fui enquadrada depois. Me perguntavam se eu tinha sido internada mesmo, se era verdade tudo aquilo”. Para conseguirem ir à Flupp, Luciene e Raul Lazaro contaram com o patrocínio da Clínica Bem Viver.



Mas a Flupp não era um campeonato, e sim uma festa. Agora, Luciene com ‘sangue nos olhos’ não vê a hora de mergulhar de cabeça no Slam. E com a ajuda de Raul Lazaro, vai ser uma das competidoras do ‘Slam de Tchapa e Cruz’, que já tem seis datas marcadas para 2017. Em 2016, eles chegaram a realizar quatro encontros, duas no SESC, uma na Praça da República e uma na Praça da Mandioca (de abril a setembro), mas, como foram somente quatro e não seis, como manda a regra, a etapa não foi classificatória para o ‘Slam Br’.

Em 2017, as seis datas são: 25 de março, 29 de abril, 27 de maio, 24 de junho, 26 de agosto, 23 de setembro e 28 de outubro. Todas as edições serão na Casa Cuiabana, e quem vencer será classificado para a etapa nacional. Lá, a pessoa terá a oportunidade de vencer e ir para a Copa do Mundo de Slam em Paris, em 2018.

Para Raul Lazaro, que conseguiu organizar todas as etapas, é um orgulho trazer o Slam para Mato Grosso. “O Slam de Tchapa e Cruz será para chamar a atenção da população cuiabana que não conhece ainda. Todos os poetas, pessoas que gostam de ler, de poesia, que não conhecem essa forma de se expressar, o formato do Slam”, finaliza.
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