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Terça-feira, 21 de maio de 2024

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Pretagonizando a cena: O dia delas as mulheres negras e o legado de Tereza de Benguela

Pedindo licença as ancestrais mulheres que abriram caminho para eu estar aqui, inicio esse texto, como homem jovem negro que reconhece as conquistas sem esquecer a luta cotidiana do ser mulher negra no Brasil.

As políticas públicas para as mulheres negras ainda são incipientes, mas precisamos avançar mais, para garantir também mais celebrações do que choros! As nossas já sofreram muito em demasia para que nosso caminho fosse menos pesado e não houvesse mais açoites, embora isso ainda ocorra. Muitas atividades estão acontecendo no estado e na capital  em alusão ao dia ada mulher negra Latina caribenha e do dia nacional e estadual de Tereza de Benguela e aqui trago uma reflexão: As mulheres negras estão mesmo protagonizando a cena? Porque vejo muitos homens brancos dando oficinas para mulheres negras, eu pergunto cadê as fotografas negras? Cadê as profissionais negras que devem ser exaltadas e valorizadas cotidianamente, que nem mesmo no seu dia são reconhecidas. Não é meu lugar de fala, mas como jornalista comprometido com a luta do movimento negro, filho de uma mulher negra, quilombola, eu questiono o protagonismo da branquitude que tenta a qualquer custo sequestrar nossos corpos e minar nossas redes.

Um dos principais legados dos muitos que Tereza de Benguela faz ecoar é o sistema de redes de comunicação, da coletividade e do respeito aos seus, valorizado seu núcleo em primeiro lugar, como salienta a ativista Professora Doutora Pesquisadora Silviane Ramos. Que aliás carrega em seu DNA a descendência de Tereza de Benguela. Muitas mulheres como Silviane lideram quilombos resistência no Estado e na capital, e minha homenagem vai para essas mulheres quilombos que lutas pelos seus. Antonieta Luisa costa , dando continuidade ao legado de seu pai e fortalecendo as mulheres, Miriam Cida Em Vila Bela da Santíssima Trindade seguindo os ritos da irmandade, Czarina Brito Farias como Secretária de Cultura de Vila Bela e membro Fundador do Herdeiras do Quariterê, vereadora Mazé protagonizando e resistindo na cena política no município de Cáceres, Maria Rosa em Diamantino resistindo sempre, mesmo com a perda de seu filho. No âmbito jurídico pretagoniza a cena RENATA DO CARMO EVARISTO PARREIRA, juíza negra que integra também o coletivo herdeiras do Quariterê, fortalecendo o movimento e no chamamento trazendo em rede sua parceria de trabalho a juíza Claudirene Andrade Ribeiro que atua no município de Tangará da Serra.  As mulheres negras da capital e do interior que lutam por melhorias para a população negra rendo as homenagens do dia e todos os dias. Desejo a vocês a força ancestral de Tereza sempre presente, e que tenhamos sempre o que comemorar, celebrar e sonhar! Vocês são referências mais que etnicosocias inspiram vidas e sonhos de muitas pessoas, de jovens mulheres, e jovens negros como eu! E licença ao sair, peço para que eu possa sempre vir falar de vocês e não por vocês, rendendo as justas homenagens em vida!


Manoel Francisco é jornalista negro, ativista e admirador incondicional da luta e conquistas das mulheres negras.
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