Olhar Conceito

Sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Colunas

Nós e os pecados capitais...

Passei anos da minha vida sem me interessar pela política e quando em conversas com amigos a mesma vinha a baile, minha colaboração era proporcional ao meu conhecimento sobre o tema, ou seja: “parco”. Sempre tive um olhar de descrença quanto aos políticos, obviamente que tem pessoas que adentraram ao meio por ideais nobres. Infelizmente é uma minoria e esta minoria acaba sendo contaminada pelo poder, que o poder exerce sobre as criaturas.

Os anos vêm passando, meu olhar sobre os que estão no poder permanece o mesmo, mas junto com os anos, veio a compreensão de que enquanto cidadã eu tenho o dever de desenvolver uma consciência política. A partir daí, adotei como rotina ler a coluna política no meu jornal matinal. Confesso que levei um tempo para me familiarizar com os partidos, suas propostas, tanto quanto com o nome dos seus defensores.

Estou muito longe, mas longe mesmo de conhecer a política, se antes eu era uma leiga cega, hoje me considero uma leiga de olhos semiabertos sem muita disposição para abri-los totalmente. Embora eu tenha como princípio evitar a generalização, quando se trata de políticos brasileiros da atualidade, fica difícil escolher um que possa nos representar. Que triste presenciar dia após dia, pessoas que foram eleitas pelo povo para trabalhar a favor do povo, espoliar quem os colocou ali e com uma cara de pau tão grande que as vezes custo a crer no que meus olhos veem e meus ouvidos escutam.

Eu nunca me considerei exemplo de nada nem para ninguém, procuro agir de acordo com os valores que meus pais me passaram e com os que eu adquiri ao longo dos anos, mas quanta dor e vergonha eu sinto quando vejo esses homens engravatados e essas mulheres em seus terninhos, brincarem de ser governantes. Lá do meu sofá eu fico me perguntando: “o que será que essa criatura tem no lugar da consciência” ou “será meu Deus, que Deus se esqueceu de colocar um coração neste Ser quando o criou”? Nem uma coisa nem outra, vamos deixar Deus fora dessa e lembrarmos o que Francisco VI, Duque de La Rochefoucauld (escritor francês do século XVII) disse sobre as intenções do ser humano: “ficaríamos envergonhados de nossas melhores ações, se o mundo soubesse o que as motivou”.

A afirmativa é válida porque se refere as criaturas que advogam fazer o bem a fim de alimentar sua vaidade pessoal, impressionando o mundo para que os inclua no rol dos generosos e de grandes altruístas. O orgulho esta incluído entre os tradicionais pecados capitais do catolicismo, assim como a vaidade é uma ideia justaposta ao orgulho, ela também se destaca como um dos mais antigos defeitos a serem combatidos na humanidade.

Então... fico aqui matutando: se o problema não é a política e sim o homem na política, como é que vamos sair dessa? Não vamos né... pelo menos em curto prazo, e quando falamos em mudar o homem, uma centena de anos é logo ali.

Bom, já que não irei ver o novo homem ao menos com estes olhos que a terra há de comer, eu daqui do meu computador dividirei com você uma frase que ouvi ao participar de uma aula com o grande filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella, disse nos ele: “o Brasil não tem planos de nação, somente planos de governo” e eu metida que sou finalizo aqui a nossa conversa com a seguinte colocação: “só resolveremos as nossas questões sociais, políticas e econômicas a partir do momento que cada um, na sua intimidade, trabalhar seu egoísmo e sua vaidade”.

Boa sorte para nós e que Deus nos muna de muita força, coragem e perseverança para que façamos a autotransformação.

Um abraço

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*Isolda Risso é Personal & Professional Coaching Executive, Xtreme Life Coaching, Neurociência no Processo de Coaching, Programação Neurolinguística (PNL) pedagoga por formação, cronista, retratista do cotidiano, empresária, Idealizadora do Café Com Afeto, mãe, aprendiz da vida, viajante no tempo, um Ser em permanente evolução. Uma de suas fontes prediletas é a Arte. Desde muito cedo Isolda busca nos livros e na Filosofia um meio de entender a si, como forma de poder sentir-se mais à vontade na própria pele. Ela acredita que o Ser humano traz amarras milenares nas células e só por meio do conhecimento, iniciando pelo autoconhecimento.
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