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Sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

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Abri o computador, a tela se abriu e...

Arquivo Pessoal

Terça-feira é o dia que escolhi para escrever a crônica da semana. Normalmente na noite anterior eu defino o tema e às vezes já faça o primeiro esboço. Hoje aconteceu diferente, até alguns minutos atrás eu não havia definido sobre o que falaria por aqui.

Tenho passado os dias dividida entre um trabalho que preciso concluir e desafiada por um projeto que esta dando seus primeiros passos. Estou parecendo noiva as voltas com o casamento, são tantos detalhes para se pensar que a mente fica a mil por hora, ligada e haja exercício de respiração para amenizar a ansiedade.

Voltando para o tema.

Cheguei ao escritório, bom dia para todo mundo, algumas coisas para despachar, água e café respectivamente nos seus devidos lugares (em cima da minha mesa à direita) ordem dada em bom e sonoro tom de: “só me interrompa se for algo que não possa esperar”. A porta se fechou, abri o computador, cliquei no Word e a tela se abriu.

Passado um tempo relativamente longo a tela insistia permanecer em branco. Minha mente vagava de um pensamento a outro com tanta velocidade que eu não conseguia segurar nenhum. Foi me dando uma angústia, a ansiedade aumentando, fiz um exercício de respiração e nada. Falava comigo mesma: “calma, quanto mais você se agitar, mais tempo ela permanecerá em branco”.

Levantei-me, peguei um livro na tentativa de me inspirar e nada que eu lia me sensibilizava. Meu pensamento continuava curto, fugitivo e a ansiedade estava tomando a forma de uma jaula. Sim, eu estava enjaulada na cela dos pensamentos velozes e desconexos. Quando percebi minha situação, voltei para o computador e aqui estou.

Equivocadamente acreditamos que as prisões são somente aqueles locais sujos, mal cheirosos, cercado por grades. Quanto engano, a pior prisão é aquela que construímos por livre e espontânea vontade e sem a menor resistência nos encarceramos dentro dela. Na autocrueldade e na violência que praticamos contra nós mesmos, não se derrama sangue, mas construímos cercas e cercas, que vão nos sufocando e nos afligindo por dentro.

Montaigne o grande filósofo francês do século XVI escreveu: “A covardia é mãe da crueldade”.

É pela covardia que iniciamos a nossa auto-prisão. São os sentimentos de inferioridade, o temor e a procrastinação que impedem que avancemos. Dissimulamos muito bem a autocrueldade, somos especialistas em varrer problemas para debaixo do tapete e o medo de encarar uma realidade que não queremos ver, nos emudece na hora em que deveríamos nos expressar e nos paralisa no momento que deveríamos caminhar.

O auto-encarceramento vem de um endereço muito popular: “viver a própria vida nos termos estabelecidos pela aprovação alheia”. Em razão de ser aceito por todos, nos encurvamos diante da vontade do outro. A masmorra que nos enclausuramos só se abrirá quando estabelecermos padrões de autorrespeito, aprendendo a dizer “não sei”, “não compreendo”, “não concordo” e “não me importo”.

Um abraço

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*Isolda Risso é Personal & Professional Coaching Executive, Xtreme Life Coaching, Neurociência no Processo de Coaching, Programação Neurolinguística (PNL) pedagoga por formação, cronista, retratista do cotidiano, empresária, Idealizadora do Café Com Afeto, mãe, aprendiz da vida, viajante no tempo, um Ser em permanente evolução. Uma de suas fontes prediletas é a Arte. Desde muito cedo Isolda busca nos livros e na Filosofia um meio de entender a si, como forma de poder sentir-se mais à vontade na própria pele. Ela acredita que o Ser humano traz amarras milenares nas células e só por meio do conhecimento, iniciando pelo autoconhecimento.

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