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Sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

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Nem todo tremor é sinal de Parkinson: Doença pode ter outras manifestações, alerta especialista

Você está tranquilo em casa, com o corpo em repouso e, de repente, suas mãos começam a tremer. Qual seria sua primeira reação? Marcar uma consulta com seu médico? É o recomendado, pois, o tremor serve como um  alerta para demonstrar que algo não está certo. Parte da população desenvolve, em determinados momentos da vida, algum tipo de tremor. As causas são várias, da doença de Parkinson ao tremor essencial, por isso é fundamental a busca por um especialista para se chegar ao diagnóstico correto.

De acordo com o médico neurologista e cooperado da Unimed Cuiabá Nei Moreira da Silva, nem todo tremor é, necessariamente, sinal de Parkinson. E nem todo paciente com o diagnóstico da doença se manifesta em forma de tremor, podendo haver apenas rigidez ou diminuição dos movimentos. “Existem outras causas para o tremor. Porém todo tremor deve ser avaliado por um especialista, para definir sua causa e adotar-se medidas diagnósticas e terapêuticas possíveis”, ressalta o médico.

Parkinson

O mal de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, que provoca alterações posturais, tremores, rigidez dos músculos e redução da movimentação automática e também um quadro psíquico que pode variar de depressão até demência, de natureza progressiva e de causa ainda mal definida. Este quadro também pode estar associado ao uso de algum remédio ou decorrer de outra origem a ser investigada. “Chamamos de síndrome parkinsoniana ou parkinsonismo quando esse quadro for produzido por uma causa bem definida como doenças cerebrovasculares, trauma cranioencefálico, infecções neurológicas, intoxicações, inclusive medicamentosas, tumores, entre outras”, explica Nei Moreira.

A doença de Parkinson é uma patologia de causa desconhecida. Atinge principalmente idosos, a partir dos 60 anos, mas pode afetar adultos jovens e muito raramente a infância. É uma doença degenerativa e progressiva, que geralmente evolui lentamente durante muitos anos, causando perda de neurônios em regiões específicas do cérebro.

Conforme a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o Parkinson é a segunda doença degenerativa mais prevalente no mundo, atrás apenas do Alzheimer. A SBGG alerta ainda que um dos maiores desafios no processo diagnóstico da doença de Parkinson é a identificação dos sintomas. Enquanto um tremor pode ser o sinal mais conhecido da doença de Parkinson pela população, na verdade, o principal indicador é a bradicinesia (lentidão dos movimentos).

Dentre os sintomas mais comuns estão a diminuição e lentidão da movimentação automática, tremor, principalmente quando as mãos ou mais raramente os pés estão parados ou em uma posição de repouso e aumento do tônus muscular, produzindo rigidez e problemas com o equilíbrio. Além disso, pode haver alterações psíquicas associadas. O neurologista explica que o paciente tem dificuldade para manter sua postura, tem tremores que prejudicam suas atividades, lentidão para iniciar e realizar movimentos e caminha com passos curtos, com os braços fixos juntos ao corpo, sem balançar e pode ter dores musculares pela rigidez. “Esse conjunto de manifestações firmam o diagnóstico do Parkinson”, afirma o médico.

Fatores de Risco para o mal de Parkinson


O principal fator de risco é a idade com as doenças ligadas ao envelhecimento. Pode haver também um fator genético, especialmente em formas especiais de parkinsonismo. Além disso, a exposição a fatores causais, tais como trauma craniano de repetição, como nos lutadores de boxe, e medicamentos, incluindo os antipsicóticos, principalmente os mais antigos e, atualmente, certas drogas usadas no tratamento de tonturas, vertigens, labirintites e outras condições (cinarizina e flunarizina, principalmente). “Estas drogas por serem depletoras de dopamina cerebral, podem induzir o parkinsonismo, principalmente em pacientes na casa dos 50 anos em diante”, alerta o neurologista.

Tratamento


O tratamento é feito com medicamentos adequados ao tipo e ao estágio mais ou menos avançado da doença e idade do paciente, de uso permanente. Existe também a possibilidade de tratamento cirúrgico para parte dos casos. “É importante seguimento clínico com médico neurologista em cada fase da doença, para promover a melhor qualidade de vida ao paciente”, salienta o especialista.

Vale ressaltar que não há cura para o mal de Parkinson, porém, existem tratamentos clínicos e cirúrgicos para as diferentes formas e estágios da doença e controle dos sintomas. Além do tratamento medicamentoso, a prática de exercícios regulares é importante para retardar os sintomas da doença.

Tremor essencial

O tremor essencial, de origem genética, acomete geralmente pessoas mais jovens e é um tremor de ação, ligado a movimento e também postural, ou seja, ocorre quando há esforço para manter em uma posição. “Como podemos ver a Doença de Parkinson é uma doença complexa, que envolve muitos sintomas além do tremor. Já os pacientes com tremor essencial, geralmente não apresentam outros sintomas motores”, ressalta o neurologista Nei Moreira. Identificar esta diferença é fundamental, uma vez que cada patologia requer cuidados específicos.

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