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Obesidade em alta, fígado em risco: Além da esteatose hepática, excesso de peso pode desencadear inúmeras patologias

Autor: Movimento Saúde Unimed Cuiabá

27 Jan 2016 - 16:40

Atualmente, pela falta de tempo, as pessoas cada vez mais optam por consumir comidas rápidas, industrializados e alimentos processados. Também levam uma vida sedentária causando diversas doenças modernas que antes não existiam. As consequências desse mal para o organismo são graves e trazem consigo uma série de complicações, uma delas é a obesidade.

O problema do excesso de peso e da obesidade tem alcançado proporções alarmantes no mundo todo. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que no Brasil, 56,9% das pessoas com mais de 18 anos estão com excesso de peso. Além disso, 20,8% das pessoas são classificadas como obesas por terem IMC igual ou maior que 30. Os números não param de crescer, entre todas as idades e todos os grupos de renda.

Mas afinal, quais são as causas da obesidade? De acordo com o médico gastroenterologista, cooperado da Unimed Cuiabá e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Edgard Wilson Gripp, a obesidade é caracterizada pelo excesso de gordura no organismo. A doença atinge indivíduos de ambos os sexos e todas as idades, porém é mais frequente em adultos do sexo feminino.

Gripp explica que se trata de fenômeno multifatorial cuja origem envolve componentes genéticos, endocrinológicos, metabólicos, comportamentais, psicológicos e sociais. “A obesidade não é um problema moral, nem mental ou de falta de força de vontade, como por desinformação era tratada até bem pouco tempo. Hoje se sabe que é uma doença e que o seu tratamento leva a redução do número de complicações e da mortalidade de pessoas que teriam sua expectativa e qualidade de vidas diminuídas”, frisa.

Os quilos extras podem causar outras complicações como o aumento das taxas de mortalidade, diminuição da expectativa e qualidade de vida. A obesidade representa um fator de risco para o surgimento de outras doenças, a exemplo do refluxo, diabetes, hipertensão arterial, hiperlipidemia, coronariopatias como angina e infarto, doenças articulares, apneia do sono, insuficiência respiratória e cardíaca, além de diversas formas de câncer. “O controle dessas doenças necessariamente envolve a perda do excesso de peso”, enfatiza Gripp.

Como diagnosticar a obesidade?

O diagnóstico da obesidade é feito através do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC). Este índice mede a corpulência, que se determina dividindo o peso (quilogramas) pela altura (metros), elevada ao quadrado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, considera-se que há excesso de peso quando o IMC é igual ou superior a 25 e que há obesidade quando o IMC é igual ou superior a 30.

Gordura no fígado

Quem está acima do peso ou obeso não deve esquecer que ambas as situações podem provocar excesso de gordura no fígado. A doença, denominada esteatose hepática, é um acúmulo de gordura nas células do fígado.

Não é só o sobrepeso ou a obesidade que causam a doença. Abuso de álcool, hepatites virais e diabetes podem provocar a esteatose. Segundo o gastroenterologista Edgard, em média, uma em cada cinco pessoas com sobrepeso desenvolvem esteatose hepática não alcoólica.

Outro fator preocupante: Os sintomas são praticamente inexistentes. “Esta gordura permanecendo no fígado por tempo prolongado, pode levar aos processos inflamatórios do fígado, provocando a cirrose”, alerta. O diagnóstico pode ser feito com exames laboratoriais e de imagem (ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética). “Pode ser necessário biopsias de fígado ou mais atualmente a realização da elastografia hepática, conhecida como FibroScan”, esclarece.

Prevenção da obesidade

A prevenção da obesidade deve vir desde a infância, com o costume de hábitos alimentares saudáveis e a pratica regular de exercícios. Para Edgard Gripp, “um mau hábito alimentar e uma vida sedentária são uma porta escancarada para o ganho do peso e todas as suas consequências sobre a saúde”.

Tratamento

Conforme Gripp, o tratamento da obesidade deve envolver uma equipe multidisciplinar para a orientação do paciente, com nutricionista, psicólogo, psiquiatra, endocrinologista, cirurgião e outros especialistas, dependendo de cada caso.

Os pacientes com sobrepeso e obesidade grau I devem ser incentivados a mudança de hábitos alimentares, a realização de exercícios frequentes e se for necessário, a utilização de alguma droga para o controle do apetite. Estas devem ser orientadas por profissionais específicos de cada área.

Os pacientes obesos grau II com comorbidades, ou seja, uma série de doenças associadas à obesidade, e os pacientes a partir do grau III, mesmo sem comorbidades, que não conseguem reduzir peso ou não conseguem manter o peso perdido, devem ser encaminhados para o procedimento cirúrgico. “Aos que procuram o procedimento cirúrgico, aconselho a buscar cirurgiões na área de bariátrica, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e que se informem de cada técnica, de preferência com cirurgiões que façam técnicas diferentes, para que possam fazer a melhor escolha”, frisa o médico gastroenterologista e cirurgião bariátrico.

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