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Segunda-feira, 28 de setembro de 2020

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Você tem refluxo gastroesofágico?

Autor: Movimento Saúde Unimed Cuiabá

12 Jan 2016 - 14:43

Sintoma mais comum da doença que acomete 12% dos brasileiros é a azia; mal pode acarretar outras complicações

Você acorda durante a noite com azia, sensação de queimação e desconforto no estômago? Pode ser sintoma de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). A doença ocorre quando o conteúdo do estômago volta para o interior do esôfago, provocando sintomas desconfortáveis múltiplos, com ou sem lesões dos órgãos envolvidos ou até mesmo com complicações. Pessoas que suspeitam ter a doença devem procurar um médico especialista, pois, se não tratada, pode causar problemas mais sérios.

Considerada uma das doenças mais prevalentes em todo o mundo, o refluxo acomete pessoas de qualquer idade. De acordo com o médico gastroenterologista e cooperado da Unimed Cuiabá Ademar Garcia, estima-se que atinge cerca de 12% da população brasileira.

A DRGE pode se manifestar com sintomas comuns como azia, que produz a sensação de queimação do esôfago, e a regurgitação, que é o retorno do conteúdo do estômago para o tórax, mais precisamente para o esôfago. Há ainda os sintomas atípicos como a tosse, asma, dor torácica, rouquidão, pigarro, engasgos frequentes, entre outros. “Deve-se considerar ainda a possibilidade dos chamados sintomas de alarme, representados pela anemia, emagrecimento, hemorragia digestiva, dificuldade para deglutir, chamada de disfagia, e dor causada pela passagem do alimento, denominada de odinofagia”, ressalta Ademar Garcia.

Uma das causas para o surgimento da DRGE é a hérnia hiatal, em que uma parte do estômago se projeta para dentro do tórax por meio de uma abertura no diafragma. Obesidade e excessos alimentares também podem ser um fator determinante, considerando o consumo exagerado de café, chás, chocolate, gorduras, condimentos picantes, bebidas gasosas, álcool e alguns medicamentos, hábito que resulta no aumento da pressão intra-abdominal.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito, na maioria das vezes, pela observação do especialista ao conjunto de sinais e sintomas apresentados pelo paciente. “A endoscopia digestiva alta é o exame de escolha na avaliação dos pacientes com sintomas clínicos sugestivos de DRGE, especialmente naqueles com sintomas crônicos e com idade superior a 40 anos”, salienta o médico Ademar Garcia.

Há casos em que o refluxo pode não causar lesões visíveis, imperceptíveis na endoscopia, apesar dos sintomas existentes. Dessa maneira, é necessário solicitar um exame chamado pHmetria, que identifica a ocorrência do refluxo por meio da medida do pH ácido ou alcalino no interior do esôfago.

Tratamento

O tratamento da DRGE inclui terapia medicamentosa aliada a medidas comportamentais para evitar a ocorrência do refluxo. Ademar Garcia explica que o tempo de tratamento e a escolha dos medicamentos a serem utilizados devem ser planejados para cada caso em particular, levando-se em consideração a idade do paciente, sintomas apresentados e intensidade, tempo de ocorrência, fatores desencadeantes envolvidos, bem como a gravidade das lesões identificadas no exame endoscópico.

“Apesar do grande avanço no desenvolvimento das drogas e do conhecimento da doença, estamos ainda longe do tratamento medicamentoso ideal capaz de reverter permanentemente suas alterações fisiopatológicas”, frisa o médico.

O tratamento cirúrgico é recomendado para os casos de complicações como estenoses, ulcerações, ocorrência de câncer ou do Esôfago de Barrett (caracterizado por alterações nas células do órgão). Também está indicada em casos não complicados em que não haja condições para o tratamento medicamentoso ou quando o tratamento de manutenção seja indispensável para o controle da doença, especialmente em pacientes com menos de 40 anos.

O comportamento do paciente também é determinante para o sucesso do tratamento. Por exemplo, não fazer ingestão de grandes volumes de líquidos e alimentos, preferir refeições fracionadas, mastigar bem os alimentos, evitar uso de condimentos picantes, gordura, chocolate, café, álcool, cigarro, anti-inflamatórios e anticoncepcionais. Além dessas dicas, deve-se aguardar um prazo mínimo de duas horas para dormir após as refeições e controlar o peso.

Vale lembrar que se a doença não for devidamente tratada, pode causar algumas complicações como estenose esofágica que impede a passagem do alimento para o estômago provocando vômitos e desnutrição, complicações respiratórias devido à aspiração do conteúdo digestivo para as vias respiratórias. Também pode ocorrer ulceração com consequente dor ao deglutir, hemorragia e perfuração. Outra complicação é a ocorrência do esôfago de Barrett, que indica a necessidade do tratamento cirúrgico.

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