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Sábado, 04 de dezembro de 2021

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Os gregos quebram pratos... meu aprendizado pra vida!

Autor: Isolda Risso

17 Set 2015 - 14:23

Arquivo Pessoal

Ninguém é perfeito, mas usar este fato como desculpa para fazer as coisas
erradas e não melhorar é difícil ficar aceitando ou desculpando sempre.

Penso que se não for o maior, um dos maiores desafios que temos, é aparar as próprias arestas, e vencedor mesmo, não é quem vence o outro, e sim a si mesmo.

Vou dividir com vocês um comportamento abominável que eu tinha, não que o venci por completo, mas digamos que já caminhei um bom pedaço em direção à sua exclusão completa.

Hoje já me sinto segura em afirmar que ele está mais no meu passado do que no presente, na verdade, a última vez que permiti sua aparição foi em uma tarde de quarta-feira, em junho de 2009.
Para que me lembre até do dia e ano, você pode imaginar a extensão!

Não parece, e quando falo a alguém que tenho uma personalidade irritadiça, explosiva e ansiosa, normalmente desperto surpresa no ouvinte.

Não sei porque boa parte das pessoas me enxergam como uma criatura tranquila. Não sou não, tem dias que estou mais para bomba atômica do que para bicho homem.

Minha alma, além de ter os pés na Itália, alguns dedos devem ter sido importados da Grécia, porque quando me enfureço, meu impulso imediato é de pegar o que está mais próximo de mim e quebrar, tacar no chão ou na parede sem dó.

A diferença entre os gregos e mim é que eles quebram pratos em ocasiões comemorativas e eu, com cólera. Eles quebram só pratos e eu quebro o que tem pela frente.

Já se espatifaram sob minhas mãos alguns teclados de computador, um notebook, vários controles remotos, um celular queridinho, incontáveis copos, xícaras, pratos, cinzeiros, etc...
Está também em meu rol de insanidades martelar inteirinha com martelinho de bater bife uma Suzuki 900, vermelha, linda de viver, novinha.

Sim... você deve estar querendo chamar a equipe de socorro e me colocar em uma camisa de força, mas te confesso que nunca fiz algo dessa natureza com tamanho gosto, só não vou contar o motivo que me levou a cometer tal ato, porque não vem ao caso e está em um passado muito distante, não me arrependi até hoje e pelo jeito não vou me arrepender jamais dessa situação não.

Se eu tiver que ir para o inferno por isso apresento meu passaporte para o capeta na boa.

Falando de peito aberto, dar vazão ao sentimento de ira no momento que ele surge, sinceramente alivia, mas logo a seguir os efeitos danosos provocados pela avalanche de emoções desenfreadas me causavam um mal imensurável.

Não só a mim, a quem estava por perto igualmente, afinal, quem gosta de presenciar tamanha estupidez?

Não que eu tivesse tal comportamento em público, mas algumas vezes pessoas do meu convívio diário presenciaram sim.

Depois que a explosão perdia a força, vinha o arrependimento, a vergonha e o que é pior, a ressaca moral. Era medonho...

Passei anos sem me incomodar com isso, e um belo dia, assim do aparente nada, aquele jeito meu de ser passou a me inquietar mais e mais, a cada vazão, o arrependimento surgia mais rápido e era maior, a vergonha aumentava, e a ressaca moral demorava mais para passar.

Embora eu tenha minhas limitações, sempre desejei e me esforcei em me tornar uma pessoa melhor, em todos os sentidos.
Nunca medi esforços para atingir meus objetivos, nem sempre alcançados, mas sempre trabalhados com muito afinco.
Sem querer parecer a boa, jamais sai de um desafio com o sentimento de que poderia fazer melhor, é lógico que sempre podemos melhorar, mas sempre dei o melhor de mim em tudo que me proponho e isso assegura um pouco da minha paz.

Voltando às manifestações eruptivas. Levei esta questão para o divã da minha analista e passei a observar o que tinha atrás das minhas explosões de fúria.

Pois não é que não tardou e a cortina veio abaixo?

Apareceram algumas coisas, mas o que me chamou mais a atenção foi o ganho secundário que eu tinha ao permitir meu lado irracional se expressar.

No momento da erupção do meu vulcão interno, me sentia mais forte.

Olha só que coisa maluca, o inconsciente é de uma riqueza incalculável e se permitirmos ele desvenda um mundo totalmente desconhecido por nós, nos abre um baú cheio de tesouros disponíveis para a nossa melhoria e evolução.
Basta a gente querer...

Para descontrair um pouco, vou compartilhar mais uma situação que me ajudou muito neste meu processo de melhoria.

Uma vez, estávamos eu, minha filha(saindo da adolescência) e uma amiga trocando algumas impressões sobre como nos sentimos, aparentamos e realmente somos.

Em meio à conversa minha menina soltou : “minha mãe tinha que ser denunciada para o Procon, esse jeito manso dela é propaganda enganosa “.

Não preciso dizer o quanto a espontaneidade dela nos surpreendeu e que boas risadas nos renderam, mas muito além de boas risadas, me despertou de vez para a necessidade de me empenhar mais e mais em corrigir meus defeitos, eu não queria que um ser tão amado por mim continuasse, nem de brincadeira, me vendo daquela forma.

O amor é assim, poderoso como ele só, se não mudamos por nós, mudamos por quem amamos e se não mudamos é porque ainda não aprendemos a amar!

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*Isolda Risso é pedagoga por formação, coach, cronista, retratista do cotidiano, empresária, mãe, aprendiz da vida, viajante no tempo, um Ser em permanente evolução. Uma de suas fontes prediletas é a Arte. Desde muito cedo Isolda busca nos livros e na Filosofia um meio de entender a si, como forma de poder sentir-se mais à vontade na própria pele. Ela acredita que o Ser humano traz amarras milenares nas células e só por meio do conhecimento, iniciando pelo autoconhecimento, é possível transformar as amarras em andorinhas libertadoras.

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