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Quinta-feira, 24 de setembro de 2020

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Noites insones, medos perdidos e a esperança

Autor: Jardel P. Arruda

29 Nov 2013 - 00:47

Arquivo Pessoal

Já era madrugada e ele não conseguia pregar os olhos. Vermelhos, doloridos de tanto chorar e por estarem há tanto tempo abertos. Deitado em um colchão posto sobre um piso frio, ele olhava para o teto, em direção à lâmpada apagada.

Na verdade, olhava para muito mais longe. Olhava dentro de si.

Se só quem sente dor sabe que está vivo, ele tinha certeza que nunca esteve tão vivo. E a ferida que sangrava havia sido causada por ele mesmo, que em um golpe de automutilação feriu junto quem mais amava.

O teto já não parecia tão alto. Parecia cair em sua direção.

E os pensamentos diziam: Aquele que jura mentiras só pode colher a dor. Aquele que transforma o amor em vingança só pode seguir sozinho. A aquele que rompe os tratados só resta assumir os pecados. A aquele que escolhe os caminhos tortos só sobra um desabafo, um gemido.

O teto já o sufocava há menos de um palmo de altura.

E ele respondia aos pensamentos: É preciso parar de olhar para dentro. É preciso olhar quem eu feri. É preciso cicatrizar a ferida e enterrar os pecados em uma cova profunda e usá-los como adubo para cultivar algo novo. Flores lindas podem surgir nos pântanos mais lúgubres.

E o olhar se voltou para fora de si. O teto já não caia e nem o sufocava. Um novo dia raiava fora daquele quarto. Agora ele sorria e sussurrava: “Ainda há esperança”.

*Jardel P. Arruda é repórter do Olhar Direto, leitor ávido e futuro escritor de ficção.

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